sexta-feira, 25 de maio de 2012

IPI reduzido e o mercado de usados

Com a boa notícia da redução de IPI, obviamente passei a acompanhar o mercado de usados com mais atenção, já prevendo uma queda no valor desses veículos.

Porém, com lamentação, li em um site muitíssimo conceituado, o exemplo de um leitor a respeito da avaliação de seu usado na troca. É de se lamentar, realmente, o argumento dado pelo leitor na diferença de valor para compra do 0km antes e depois da redução. Nas palavras dele, a oportunidade oferecida pelo governo torna-se uma chance de ludibriar os incautos, como forma de aumento do lucro para as concessionárias e montadoras.

Ora, permitam-me uma breve explicação sobre como funciona a avaliação de carros nas concessionárias, especialmente para quem chega com os argumentos "quero no mínimo a FIPE", "na FIPE vale X, mas o meu é pouco rodado, então quero X+10":

Quando um veículo é recebido pela concessionária, ele entra como parte do pagamento. Na maioria das vezes, esse veículo, por si só, acaba não cobrindo a despesa de compra e entrega do carro que a concessionária teve, tanto com a fábrica, quanto internamente. Portanto, por tempo indeterminado, esse usado que é entregue, é um dinheiro parado (que muitas vezes, quando se trabalha com crédito rotativo, está pagando juros).

Dando entrada do veículo, existem duas opções: colocá-lo a venda na loja ou repassá-lo a um lojista.
No primeiro caso, o veículo precisará ingressar no estoque, gerando uma NF de entrada. É revisado, lavado, tem várias avarias consertadas, para que no final, a concessionária possa vendê-lo com garantia. E ainda precisa obter um lucro! Então, é gerada uma NF de venda, sempre, é claro, incidindo impostos.

No segundo caso, o procedimento começa da mesma forma. Então, o garagista paga uma taxa sobre a transação, que cubra possíveis despesas de transferência e emissões de NF. A partir daí, o procedimento é (ou deveria ser) o mesmo: revisão, lavagem, conserto, venda com garantia e lucro!
Lembre-se ainda da possibilidade de receber um outro veículo usado na negociação!

Portanto, com o mercado de 0km aquecido, a venda de veículos usado será mais difícil. Dessa forma, o dinheiro investido em um estoque sem giro, precisa ser menor. Daí a queda nas avaliações de seminovos: não pode acompanhar a mesma porcentagem da venda de um 0km. O novo, por si só, será vendido. O usado, depende de vários outros fatores.

Com isso, é importante ressaltar que ninguém trabalha trocando figurinhas "vou vender meu carro pela FIPE, receber o teu pela FIPE e ninguém paga nossas despesas".

Eis minha modesta visão sobre o assunto!

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