quarta-feira, 6 de julho de 2011

Placas pretas tornam-se certificado de originalidade sem credibilidade

 Na década passada, os veículos de coleção passaram a ostentar as cobiçadas placas pretas. Tal objeto era significado de que o veículo possuía mais de 80% de suas características originais, representando fielmente a época em que foram fabricados.
Dessa forma, assumiram importante papel para a cultura nacional, pois nosso país havia demonstrado um avanço na preservação da memória, começando por um setor muito cultuado- o automotivo.
Porém, o que se observa é uma sucessão de placas pretas adquiridas, onde gritantes discrepâncias entre alguns modelos e seus acessórios tornam-se alvo de indignação para entusiastas e conhecedores.
O simples fato de um Opala 1971 pintado na tonalidade Super Verde, disponível a partir de 1974, já é motivo de discussão. Ora, se o objetivo é representar com fidelidade a época de fabricação, como seria possível adorná-lo com um item que viria a ser lançado apenas 3 anos depois? Seria o mesmo que hoje um Gol 2011 rodar com calotas do Gol 2014.
Como sempre, um motivo de orgulho nacional acaba sendo afetado pela corrupção, desta vez ofertada pelos clubes antigomobilistas.

Esportividade clássica x modernidade monótona

Quais os critérios usados para definir um automóvel como esportivo?


Pra início de conversa, um esportivo que se preze deve marcar época. Deve ser um daqueles automóveis do sonho de sua época, e que ao atingir a menor cotação esperada, começam a se valorizar assustadoramente.
Status é algo dispensável em relação ao grande público, mas seu piloto deve ser invejado pelos demais entusiastas. O automóvel esportivo deve agradar a quem realmente admira carros, e ser reconhecido pelo seu prazer ao dirigir.
Mecanicamente, no caso das variantes esportivas, deve apresentar alguma novidade. Mesmo sendo 2 cv a mais, alguma diferença deve ter em relação a versão civil.
E o prazer de dirigir, onde se encontra? Como o nome do blog sugere, comparo agora dois modelos, tomando descaradamente partido por um deles- e não é por ser de minha propriedade.
Um deles é a aposta no cenário dos esportivos com boa relação custo-diversão do mercado nacional: o novo Jetta Highline, com seu motor 2.0 Turbo de 200 cv. Jogando no seu time, temos uma transmissão DSG de 6 marchas, com trocas quase imperceptíveis e uma suspensão traseira multi-braços. Na reserva, joga um controle de estabilidade sempre pronto para entrar em ação.
O outro não tem nenhuma pretensão esportiva. Mais de 20 anos de fabricação o separam de seu concorrente: é o Chevrolet Diplomata SE 1988, dos últimos equipados com motor 250-S, e de minha propriedade. Não há nada que impeça seu motorista de ser feliz, e o controle de estabilidade é apenas um pouco de juízo, se é que existe nesse caso. Pra não ser injusto, uma concessão à originalidade: um abafador esportivo no cano de descarga, afinal, são seis canecos sedentos por uma manifestação vocal.
Na largada, o motorista do Jetta teve algum trabalho, mas regulou milimetricamente a direção (em altura e profundidade) e precisou de algum esforço para regular eletricamente o banco. Posicionou o câmbio no modo S e acelerou até o limite. As rodas dianteiras patinaram por alguns metros, mas logo uma luz no painel piscou e o controle de tração/estabilidade entrou em ação. Os 100 km/h chegam surpreendentemente depressa, sem nenhum esforço do motorista. As primeiras curvas se aproximam, o carro é um pouco mais exigido, mas não sai da trajetória. O único trabalho é de virar o volante na direção desejada, e seguir em frente. Em uma velocidade relativamente alta, o Jetta vai se envolvendo ao tráfego, e é preciso paciência para esperar o momento certo de ultrapassagem. Com espaço disponível, basta uma pressão adicional no acelerador e com segurança a ultrapassagem é finalizada. Hora de descer, com uma cara de total indiferença e reconhecer que é realmente muito gostoso dirigi-lo.
A partida é dada no Chevrolet Opala. O ajuste da posição de condução é fácil: para quem tem 1,90, o banco é deslocado totalmente pra trás. O volante permite “apenas” sete posições, só pra altura. Desse modo, é fácil encontrar a posição exata. Pé na embreagem, um ringidinho típico dos Opalas surge. Marcha-lenta a 600 rpm permite escutar o tilintar dos tuchos mecânicos. Um rápido teste no câmbio, ainda com o carro parado: são 4 marchas, com engates macios e precisos, ideais para a vocação executiva do Opala. Mas a alavanca comprida, próxima ao volante de grande diâmetro, e deslocada para a esquerda, com um curso quase longo, convida à condução esportiva. E o restante do conjunto, como reage? Uma rápida acelerada faz com que o ponteiro do conta-giros dê uma varrida nos números, o motor se inclina e leva o carro junto. Um ronco grave surge, e na rotação mais alta, há um leve assobio. Se isso não é esportividade, tenho minhas dúvidas sobre o que realmente seja.
Com o acelerador acima das 3.500 rotações, a embreagem é solta de repente. Os pneus traseiros levantam uma cortina de fumaça e a traseira comete uma infração grave de trânsito ao tentar ultrapassar a dianteira pela direita. Após 30 metros dosando o acelerador, nessas mesmas condições, a segunda marcha é engatada (a 4.800 rpm), e o Opala vai ganhando velocidade rapidamente, enquanto ainda dá patinadas mais fracas. Uma pisada na embreagem e a clássica levantadinha de giro na troca de marcha faz com que a terceira marcha entre, a mais de 100 km/h. As costas continuam sendo pressionadas contra o banco, e a direção hidráulica que de progressiva só tem o balanço, exige atenção do motorista. Quase sem fim, já passa dos 160 km/h quando o Opala pede a quarta marcha.
O ponteiro do velocímetro segue crescendo acima dos 180 km/h, mas o tráfego se aproxima e é bom ser prudente, pois ABS é coisa de outro mundo aqui. Uma freada mais forte faz o Opala se jogar para os lados, e já não sei bem se isso faz parte da condução esportiva, pois não há nenhuma segurança.
A 60 km/h, sem exigir redução de marcha, puxo o Opala pra pista da esquerda e inicio a ultrapassagem: os demais veículos são vencidos rapidamente, e ainda presencio alguns acenos dos caminhoneiros. Retorno a uma velocidade mais alta, repito, sem precisar reduzir marcha.
Chegam as curvas e começam os dilemas. Entro mais forte, e a dianteira começa a escapar. Uma redução de marcha (com outra aceleradinha, claro, pra empolgar), corrige brevemente, mas aí o Opalão sai de traseira. É preciso muito esforço para corrigir a trajetória, mas é impagável a impressão de ter o auto fazendo a curva com a traseira em um raio maior que a dianteira. Totalmente imprevisível, o Opala faz com que os momentos de prazer existam sob quaisquer circunstâncias.
Estaciono o Opala. Agora sei o que é pilotagem: necessidade de domar o automóvel, em condições onde nem ele sabe qual será seu comportamento. Quanto ao Jetta, é um carrinho bom e seguro pra ir do ponto A ao B com alguma rapidez.
Mas que a Chevrolet fez, sem querer, um grande esportivo, ah, isso fez!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A discussão sobre o último Opala fabricado

Arrisco-me a dizer que o automóvel mais amado do Brasil é o Chevrolet Opala. O VW Sedan/Fusca está fora de cogitação, pois trata-se de um projheto global.

Ainda hoje, o assunto "Chevrolet Opala" gera acaloradas discussões, seja sobre equipamentos e acessórios, originalidade, ou mesmo, desempenho em relação a outros carros.

Na internet, um grupo de apaixonados, "com algum conhecimento de causa", discute sobre algumas fotos que apareceram do suposto último Opala fabricado.

As fotos, que não vou postar aqui, por questão de direitos autorais (e quero evitar problemas com o pessoal que está fazendo a divulgação), mostram um belíssimo exemplar da última série (1991/1992), com pintura em tonalidade escura e placas CTH 1992, com 167 km rodados.

Segundo consta, este Chevrolet esteve no acervo do museu da Ulbra, onde há fotos que comprovam sua estadia lá. Em um blog, há um comentário de "Luiz Cesar Thomaz Fanfa" dizendo que o último exemplar

Porém, alguns itens chamaram a atenção dos mais observadores:

1) Os emblemas traseiros estão fora da localização correta; não obstante, os emblemas '4.1/S' e 'AUTOMATIC' estão colocados de forma inversa. Do outro lado, o emblema 'CHEVROLET' não se faz presente;

2) Os pneus não são os originais: foram substituídos por um jogo novo da marca Continental. Isso é perfeitamente admissível em um automóvel que ficou parado por anos a fio. Intriga mesmo é notar a ausência da capinha plástica de proteção dos parafusos, item que equipou apenas os modelos da última geração.

3) No vídeo, o automóvel que aparece na linha de montagem recebe a tonalidade "vermelho Ciprius", e aparenta ter o estofamento em couro. No blog, dizem que esse exemplar teve a tonalidade azul, e o aparente vinho que o carro apresenta é um erro de gravação da fita VHS.

4) Se um exemplar 1992 apresenta a cor azul, a tonalidade correta é Azul Millos. O exemplar das fotos tem uma tonalidade escura, que não é possível identificar corretamente entre vinho, o azul marinho e o preto.

5) Em nenhum momento, a tonalidade correta do carro foi divulgada. Da mesma forma, não se sabe a data de fabricação (pela etiqueta do cinto de seguranças se tem uma idéia) e nem a numeração final do chassis.

6) O exemplar não ser da série Collectors, é um mero detalhe, perfeitamente admissível. Sabe-se que a série Collectors não é exatamente dos últimos 100 Opalas produzidos, e tampouco foram fabricados com numeração sequencial.

7) Alega-se que este exemplar foi "mutilado" por algum tempo para servir de doador de peças. Com isso, a forração interna foi substituída (não possuindo encostos de cabeça vazados e sendo em veludo navalhado) e os emblemas trocados de lugar. Para que o carro não ficasse incompleto, estas peças foram colocadas provisoriamente, até a chegada das peças legítimas.

8) Ainda, segundo o blog, as peças originais estavam guardadas no porta-malas. Especula-se então, que as forrações de porta e o tecido dos bancos em couro estava guardado no porta-malas.

9) Não se justifica, porém, a tela de proteção do auto-falante da porta dianteira direita, visível numa das fotos publicadas. Na mesma foto, nota-se a ausência dos tapetes de borracha originais. Creio que detalhes como esses não passariam em uma restauração realizada por pessoas que pertenceram à alta cúpula da GMB.

Por fim, o último ponto:

10) Nos meus comentários, defendi ferrenhamente a idéia de que o automóvel deveria apresentar as forrações em couro. Porém, escrevi este post para deixar registrado, que hoje, dia 25 de abril de 2010, às 18:20h, divulgo que:

O ÚLTIMO OPALA FABRICADO NÃO POSSUÍA FORRAÇÕES INTERNAS EM COURO. Eram, realmente em tecido, conforme o modelo das fotos (mas com encostos de cabeça vazados).

Consegui, inclusive, persuadir o pessoal do blog a acreditar que o modelo que apresentei em algumas fotos da despedida, possuía este tipo de estofado, pelo brilho.

Com essa tática, almejo ver a contradição quando da divulgação desta informação, pois o próprio blog havia informado que as forrações em couro (retiradas do carro) estavam guardadas no porta-malas. Se é verdade, quero saber o motivo, pois o último Opala já saiu de fábrica sem elas.

Fica aqui meu pitaco acerca deste tão polêmico assunto que venho acompanhando nos últimos dias.

Um abraço,
Fernando Pavani. 

sexta-feira, 25 de março de 2011

Entrega ao consumidor

A personalização do atendimento ao cliente trouxe diversas etapas novas ao processo de vendas. Quando o assunto é automóveis, as montadoras adotaram um processo chamado de entrega técnica, onde o veículo é finalmente apresentado ao seu novo proprietário.
Trata-se do momento de realização de um sonho, onde é proporcionado ao cliente dirimir suas dúvidas referentes ao veículo e onde é feita a explicação dos opcionais do modelo, bem como do plano de manutenções e garantia.
Portanto, toda dúvida relacionada ao automóvel (e não à negociação) é pertinente, e deve ser esclarecida da melhor forma possível. O que se vê, porém, é uma aula prática sobre o CDC- Código de Defesa do Consumidor, pois o que é colocado em questão não são as recomendações da fábrica ou dicas de utilização do produto, mas sim fatos cotidianos.
O proprietário, ao questionar ao entregador técnico, por exemplo, se é recomendado gasolina aditivada ou comum, pretende esclarecer com qual das opções o veículo terá melhor conservação, pouco importando, pois, "que a concessionária recomenda gasolina comum, pois muitos postos vendem gasolina aditivada como se fossem comum".
Outro ponto observado, é o desprezo às recomendações da troca de combustível quando o cliente anuncia sua intenção de utilizar apenas um deles, sem nenhuma mistura ou alternância. O fator custo é variável, e quando é feita uma breve explicação das vantagens de cada um dos combustíveis, o cliente pode encontrar aí a melhor alternativa para o seu cotidiano.
A entrega técnica tem como objetivo inicial explicar o funcionamento do veículo, esquecendo-se das políticas de preço, e as recomendações devem visar sempre o melhor aproveitamento e conservação do carro, independente de preocupação com o bolso do proprietário. Caso contrário, a primeira recomendação seria de realizar as manutenções preventivas fora da rede autorizada.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Parciauto- os automóveis sob uma visão escassamente imparcial

O objetivo desse blog é trazer uma análise pessoal do mundo automotivo e tudo que o cerca. Os automóveis serão comentados em uma análise que vai misturar o lado racional com o emocional, levando em consideração minha predileção. Claro, nenhuma das informações terá valor científico, tampouco visa a indução à aquisição de determinado produto.
Também considero importante tratar de alguns processos muito relevantes para o consumidor, em sua individualidade, mas que são absolutamente ignorados em uma abordagem generalizada.

Até as próximas postagens!